
Cláudio Tucci – Advogado e professor. Doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), mestre em Filosofia do Direito e especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental. Bacharel em Direito pela Universidade Paulista (UNIP).
Introdução
Vivemos tempos complexos, marcados por transformações sociais, tecnológicas e culturais profundas, e nesse cenário que se intensificam os desafios da segurança pública no Brasil. A disciplina de Introdução à Segurança Pública nos convida a enxergar para além das grades e das fardas: trata-se de entender como a violência, o medo e a desigualdade se entrelaçam, e de que forma o Estado, por meio de políticas públicas planejadas, pode agir para proteger os direitos de todos.
2. A Segurança Pública na Constituição de 1988
A Constituição Federal consagra, em seu artigo 144, que “a segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos”. Essa formulação demonstra que a segurança pública é mais que uma função policial: ela é um bem coletivo, que deve ser construído a partir da atuação integrada entre Estado, sociedade civil e profissionais preparados.
No entanto, o aumento da criminalidade, a fragilidade dos serviços sociais, a atuação de facções criminosas e a falta de políticas públicas contínuas são obstáculos reais enfrentados pelas instituições de segurança.
3. Desafios Atuais: Violência, Desigualdade e Desconfiança
O Brasil é um dos países com maiores índices de homicídios do mundo. A insegurança atinge desproporcionalmente a população jovem, negra e periférica. Segundo o Atlas da Violência (IPEA, 2023), mais de 75% das vítimas de homicídios no país são pessoas negras. Esses números não são apenas estatísticas: revelam um país desigual, onde a segurança muitas vezes é privilégio de poucos.
Outro desafio contemporâneo é o da confiança institucional. A desvalorização dos profissionais da segurança, aliada à ausência de investimentos estruturais, compromete a eficácia das ações. Além disso, a falta de integração entre os órgãos de segurança, que atuam de forma fragmentada, dificulta a construção de políticas públicas eficazes.
4. O Papel da Formação Profissional
Formar agentes de segurança com visão crítica, ética e humanitária é um dos maiores desafios e ao mesmo tempo, a maior esperança de transformação. O curso de Segurança Pública da Faculdade VP propõe essa abordagem multidisciplinar, permitindo que o futuro profissional compreenda as raízes sociais da violência, e atue de forma preventiva, articulada e respeitosa aos direitos humanos.
Como destaca Silva (2022), “é impossível falar em segurança pública eficaz sem pensar em educação, saúde, moradia e oportunidades. Segurança começa quando se respeita o cidadão”.
5. Conclusão
Os desafios da segurança pública contemporânea exigem mais que respostas armadas. Eles demandam planejamento, empatia e visão estratégica. Como sociedade, devemos cobrar políticas públicas de longo prazo, e como profissionais em formação, temos o dever de atuar com responsabilidade, justiça e humanidade. Segurança pública não é apenas conter o crime, sobretudo, promover vida digna para todos.
Referências
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Atualizada até a Emenda Constitucional nº 115, de 2022. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
Acesso em: 3 out. 2025.
BRASIL. Lei nº 13.675, de 11 de junho de 2018. Institui o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 12 jun. 2018.
IPEA; FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Atlas da Violência 2023. Disponível em: https://www.ipea.gov.br
SILVA, João Ricardo. Planejamento estratégico em segurança pública: uma abordagem prática. Revista Brasileira de Segurança, v. 12, n. 2, 2020.
FACULDADE VP. Projeto Pedagógico do Curso de Segurança Pública. São Paulo, 2023.



