Grupo de Pesquisa em Segurança Pública, Democracia e Cidadania

Descrição sobre o projeto:

O Grupo de Pesquisa em Segurança Pública, Democracia e Cidadania foi concebido para oportunizar aos discentes do curso de Segurança Pública da Faculdade VP o engajamento em atividades de pesquisa de Iniciação Científica, propiciando-lhes complementar a sua formação técnica com a adoção de uma postura ativa na produção de conhecimento técnico e científico hábil a fornecer embasamento a políticas públicas eficazes na área da Segurança Pública, considerando-se os diferentes ângulos dessa área tão essencial para a integralidade dos indivíduos e das comunidades.

A partir de uma visão interdisciplinar, o Grupo buscará realizar abordagens que considera fundamentais para a solução de problemas complexos, consolidando um novo canal de comunicação entre a comunidade científica e a sociedade.

Serão promovidas investigações e discussões que possibilitem reunir um substantivo arcabouço teórico e empírico suficiente a promover o avanço da compreensão de temas de relevo no cenário atual, insertos na seara da Segurança Pública e suas interfaces com questões relativas à democracia e à cidadania, temáticas que necessitam ser enfrentadas de modo mais amplo e inovador do que se vem fazendo no cenário acadêmico.

O Grupo buscará articular essas compreensões associando a investigação teórica ao exame de situações concretas, de modo a possibilitar não apenas o enriquecimento da formação acadêmica de seus participantes, mas, sobretudo, habilitá-los a conduzir pesquisas que forneçam compreensões científicas sobre temas que não podem permanecer encerrados na seara da Segurança Pública ou do Direito, estritamente.

Tema: Os usos políticos do direito penal e do direito processual penal

O panorama atual do Brasil, marcado pela insegurança jurídica, pela erosão democrática, pelo atropelo de direitos e garantias constitucionais fundamentais e pela inobservância do princípio da separação dos poderes, constitui o produto de uma acelerada involução jurídico-institucional experimentada pelo país nos últimos anos. O ativismo judicial, fenômeno que ganhou considerável impulso a partir de 2018, demonstra que a tendência do poder, quando não sofre a necessária contenção, é expandir-se rapidamente, exibindo feições progressivamente autoritárias. A ausência de ativação dos mecanismos de freios e contrapesos, que se prestam a contrabalançar os Poderes Públicos entre si, refreando eventuais abusos, redundou em uma verdadeira subversão do real significado de democracia e Estado Democrático de Direito no momento em que a Suprema Corte passa a concentrar em seus membros e no estamento jurídico o verdadeiro poder político, fenômeno que pode ser designado pela terminologia “juristocracia”. Assim, ao participarem desta linha de pesquisa, os alunos terão a oportunidade de discutir questões e produzir pesquisas científicas em temas concernentes à Teoria da Separação dos Poderes, às Teorias da Democracia, às Teorias do Poder e, sobretudo, à passagem do fenômeno do ativismo judicial à Juristocracia, que reclama atenção de modo mais urgente, considerando-se, sobretudo, o contexto atual em que o Direito vem sendo utilizado como meio de cerceamento de liberdades fundamentais  e de efetivo exercício de poder político.

Palavras-chave: Poderes Públicos; Ativismo Judicial; Juristocracia; Crise Institucional; Separação dos Poderes; Usos Políticos do Direito

Tema: Condenação Midiática e Processo Penal: quando a notícia julga antes da justiça

A linguagem dos meios de comunicação nos assuntos jurídico-penais exerce papel central na formação da opinião pública, mas também constitui um dos pontos mais sensíveis de tensão entre informação, justiça e garantias fundamentais.
No campo penal, a mídia raramente se limita a relatar fatos. Ao contrário, ela costuma interpretar, selecionar, simplificar e dramatizar. Crimes passam a ser narrados como histórias morais, com personagens bem definidos — o “criminoso”, a “vítima”, o “herói investigador” — e, muitas vezes, com um desfecho implícito antes mesmo da atuação do Judiciário. Essa lógica da narrativa, própria do discurso jornalístico e audiovisual, colide com a lógica do processo penal, que é técnica, contraditória, lenta e fundada na presunção de inocência.
Embora os direitos à informação e ao devido processo legal sejam garantidos constitucionalmente, eles são veiculados por meios diferentes, e cada qual com a sua velocidade.
A linguagem midiática tende a ser rápida, acusatória, emocional e conclusiva. Expressões como “bandido”, “assassino”, “estuprador”, usadas muito antes do trânsito em julgado, substituem o termo juridicamente correto “investigado” ou “acusado”. Com isso, cria-se uma antecipação simbólica da culpa, fenômeno conhecido como condenação midiática, que fragiliza o princípio constitucional do estado de presunção de inocência, que apenas pode ser superado a partir de um devido processo que tem por natureza uma velocidade mais acanhada.
Outro traço marcante é a simplificação excessiva do discurso jurídico-penal. Institutos complexos — como prisão preventiva, nulidades processuais, absolvições por insuficiência probatória ou garantias constitucionais — são frequentemente apresentados como “brechas da lei”, “impunidade” ou “proteção a criminosos”. O direito penal passa a ser retratado não como um sistema de contenção do poder punitivo, mas como um obstáculo à punição imediata, reforçando uma cultura de punitivismo emocional.
Além disso, a mídia opera sob a lógica da urgência e do impacto, enquanto o processo penal exige prudência e fundamentação. O tempo da notícia é o “agora”; o tempo da justiça é o “depois de apurado”. Essa discrepância gera frustração social e pressão sobre juízes, promotores e policiais, que passam a atuar sob o olhar constante da opinião pública, muitas vezes influenciada por narrativas parciais ou incompletas.
Não se ignora, evidentemente, o papel democrático da imprensa. A publicidade dos atos estatais, inclusive no âmbito penal, é essencial para o controle social e para a transparência. O problema não está na informação, mas na forma como ela é construída linguisticamente: quando a mídia abandona a neutralidade informativa e adota um discurso performativo, que julga, sentencia e rotula, ela deixa de informar e passa a produzir realidade penal.
Mais do que isso, os temas jurídico-penais são tratados quase sempre parcialmente: não se explica à audiência, por exemplo, a diferença básica entre uma prisão cautelar e uma prisão-pena, sem o que o imaginário popular tenderá a uma interpretação enviesada de eventos cotidianos.
Em síntese, a linguagem dos meios de comunicação, ao tratar de assuntos jurídico-penais, não é neutra nem inofensiva. Ela molda percepções, pressiona instituições e pode comprometer direitos fundamentais. Por isso, o desafio contemporâneo não é silenciar a mídia, mas qualificar seu discurso, conciliando liberdade de imprensa com responsabilidade narrativa, sob pena de se transformar o processo penal em mero apêndice do tribunal da opinião pública.
Desse modo, espera-se que os alunos, ao fazerem parte dessa linha de pesquisa, tenham a oportunidade de pesquisar, selecionar, analisar e discorrer sobre matérias jornalísticas específicas, realçando os conceitos de caráter penal de tenham sido observadas ou ignoradas pela publicação. No encerramento do grupo, propõe-se a consolidação de dados na forma de excertos de “abordagens jornalísticas e conceitos de Direito Penal”.

Tema: A constituição é de todos e para todos

Eu sou a professora Valquíria Ortiz e quero te convidar para fazer parte do grupo de estudo “A Constituição é de todos e para todos”.

O grupo de pesquisa foi criado para fortalecer o conhecimento e a valorização da Constituição que é a lei mais importante de nosso país, a decisão política fundamental.

Conhecer a Constituição é entender como o próprio país funciona, quem detém o poder, quais os limites, os direitos e deveres fundamentais, os direitos políticos, dentre vários outros.

Dessa forma, o presente grupo pretende contribuir para democratizar o acesso a um conteúdo tão importante e significativo para a vida de todos que é a Constituição Federal, auxiliando na construção de uma consciência coletiva para o exercício dos direitos e deveres constitucionais.

Mas o que vamos fazer?

Teremos encontros quinzenais e online que serão bastante interativos, nada do professor falar e o aluno só ouvir, vamos todos “conversar e debater” sobre diversos temas ligados ao Direito Constitucional.

É estudo e ação para aprender mais. Vamos construir juntos.

Participe!

Se você deseja fazer parte desse projeto transformador, clique no botão abaixo e preencha o formulário de inscrição.